Qualquer caminho serve quando não sabemos para onde vamos.








As lebres são o símbolo da fertilidade e também são ariscas e difíceis de se pegar. Uma das 264 esculturas da coleção herdada por Edmund Waal é de uma lebre que dá nome ao livro e se torna o símbolo dessa busca das origens da família do autor.
A coleção de micro esculturas japonesas, netsuquês, leva Edmund a uma peregrinação pelo mundo para descobrir seus antepassados e reconstruir as histórias daqueles que antes dele foram os donos daqueles adoráveis objetos. Trata-se da família Ephrussi de banqueiros e comerciantes de grãos que se espalhou pela europa e chegou depois aos EUA e ao Japão. Após mais de uma centena de anos como milionários com bancos espalhados pela europa os Ephrussi tem todos seus bens confiscados na Áustria na segunda guerra com a perseguição aos judeus e na Rússia com a revolução bolchevique. O livro não é rancoroso nem esnobe, mas denso, franco e sutil. O autor é um ceramista famoso e seu texto é tátil e sentimos nos dedos suas descrições. Seu olhar de escultor e artista plástico percebe sutilezas em cada objeto e quando analisa fotografias consegue desvendar com um pouco de ironia e uma certa melancolia os pensamentos dos retratados. Poderíamos achar que a vida de pessoas que tiveram vidas tão diferentes e excepcionais seria muito diferente das nossas, mas nos sentimos próximos de cada personagem, e ao final nos damos conta que somos como os pequenos netsuquês estamos todos juntos na mesma vitrine e tão pouco sabemos de como aqui chegamos quanto para onde o tempo vai nos levar.

Um comentário:

Saulo Amorin disse...

Olá George, td b? como esta a Denise e o Marcos?
Publiquei o livro A Grama vizinha... lembra q lhe passei uma copia? em 20 dias esgotou a primeira edição, sairá a segunda agora,e no prefacio da segunda edição citarei o teu nome, pois o sr. foi o primeiro a ler e dizer que o livro tinha potencial para vender milhões. o sr. viu o que até então eu ñ tinha visto.Grato.
Saulo Amorim
saulo.amorin@outlook.com